ENTREVISTA POR: NA BOCA DO POVO
Após o início do aparecimento dos casos de canibalismo no Brasil, nós do jornal Na Boca do Povo abrimos um Disque-Denúncia para relatos e denúncias anônimas de possíveis casos de canibalismo acontecendo ao redor do país. Hoje vamos divulgar a entrevista de Renata Souza.
Com apenas 20 anos, Renata denunciou um caso de canibalismo que ocorria no apartamento ao lado do seu e que levou à prisão de Lourenzo Borges de 22 anos, ambos moravam na mesma república. A repórter Natália se encontrou com Renata no dia seguinte à prisão ser feita. Entrevistamos ela para sabermos como ocorreu tudo, até o momento em que ela decidiu fazer a denúncia.

ENTREVISTADOR: Conta um pouco para a gente como foi a sua trajetória de vida até a faculdade.
RENATA: Oi, eu sou Renata Souza e tenho 20 anos. Atualmente estou no 3º semestre da Universidade de Psicologia da USP. Sou da cidade de Nova Fátima no Paraná, mas como depois de muito tempo estudando, consegui passar no vestibular e me matricular na USP, tive que me mudar para São Paulo para viver esse sonho. Eu e minha família nunca tivemos muitas condições e vim de uma família muito humilde, então o único meio que tive para morar nessa cidade grande e cara com a renda que tenho foi vir morar no CRUSP, a república oficial da minha universidade. Meu sonho sempre foi fazer psicologia e sair da minha cidade, então de um ano para cá é como se eu tivesse ganhado na loteria!
ENTREVISTADOR: Como foi para você e sua família desde que os casos de canibalismo começaram a aumentar?
RENATA: Foi difícil estar longe da minha família no meio de tanto caos. Minha família também está com medo por eu estar sozinha na cidade que está com os maiores índices do estado. Uma noite, minha mãe me ligou chorando após ver uma notícia na TV sobre o aumento dos casos, achava que a mídia aumentava um pouco só para assustar a gente, mas tomava todo cuidado, é óbvio. Amo muito ela e a minha família, fico tentando tranquilizar eles para que fiquem bem.
ENTREVISTADOR: Em que momento e como você começou a suspeitar do Lourenzo, o seu vizinho de apartamento? Qual foi a sua atitude após a suspeita?
RENATA: Eu já conheço o Lourenzo já tem uns meses, afinal somos vizinhos de apartamento e já conversei com ele nas áreas de convívio social. Sei só algumas coisas sobre ele, como que cursa medicina e que joga basquete na atlética. Sei também que ele é solteiro, e sempre vi que ele tem uma vida “amorosa” muito movimentada. Desde que me mudei para cá quase toda semana depois do seu treino do time de basquete ele traz alguém novo para passar a noite com ele. Mesmo depois dos casos de canibalismo aparecendo pela cidade, as noitadas dele continuaram as mesmas.. Mas aconteceu que na quinta vi no grupo da faculdade que uma estudante de nutrição, a Esther, estava sumida desde segunda. Assim que comentaram lembrei quem é porque a gente já se trombou por aí. A colega de quarto dela disse que no domingo à noite ela saiu e não voltou mais, e mais ninguém viu ela por aí, nem a família, nem amigos, nem apareceu nas aulas, sem nenhum sinal dela por mais de 48h... estavam todos preocupados. Mas por uma vaga memória me recordei de que na noite de seu desaparecimento lembrar de escutar uma voz semelhante à dela falando ao celular no corredor. Já era noite mas eu precisava ter certeza disso e fui investigar, ele tinha saído fazia algumas horas então tentei olhar por baixo da porta, e não via nada, mas quando chegava perto, a porta tinha um cheiro péssimo de carne podre. Desisti de tentar procurar algo até que ele apareceu no corredor. Lourenzo estava com uma cara péssima de quem não dormia há semanas, além de ter o odor de vários cigarros misturados com um cheiro de estragado péssimo. Quando ele me viu, escondeu rapidamente um celular que estava em suas mãos com a capinha da Taylor Swift que com certeza não era dele, além de reparar que o seu tênis estava sujo com um pouco de sangue. Nos cumprimentamos rapidamente e logo em seguida entrei em meu apartamento e tranquei tudo, conversei sobre com um amigo para me tranquilizar e logo em seguida fui dar uma olhada nos posts que tinham no Instagram da Esther, e lá estava ela... em todas as fotos eu encontrei a capinha de celular da Taylor Swift idêntica a que Lourenzo estava segurando no corredor. Na hora eu liguei para a polícia. Fiquei acordada e em alerta, sem dormir. A polícia entrou no apartamento e encontrou partes do corpo da Esther, e imediatamente levaram ele algemado.
ENTREVISTADOR: Como você se sentiu após tudo o que aconteceu? E o que espera daqui para frente?
RENATA: Senti que fiz o certo, mas me arrisquei e sempre todo cuidado é pouco. Lamentei pela morte da Esther, mas que bom que consegui identificar o que ele havia feito e que as medidas cabíveis sejam tomadas. Agora me sinto muito apreensiva do que pode vir a acontecer daqui para frente, e que é bom todos nós nos protegermos e tomar cuidado de quem amamos. Por isso decidi ir visitar a minha família na minha cidade. Faz uns meses mesmo que não visito eles, aproveito para matar a saudade. Minha passagem já está marcada para o próximo final de semana!